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Bibliografia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Família Cabral

               A Família Cabral teve sempre uma grande influência e prestígio no concelho de Mangualde pelo seu sentimento patriótico e de força perante as crises nacionais. Esta família recusou-se "beija-mão de Leonor Teles e assim a reconhecê-la como Rainha de Portugal e [...] perder o senhorio das terras de Azurara; mais tarde, como penhor da dedicação que o Alcaide-Mor da Guarda, Álvaro Gil Cabral, manifestou pela independência de Portugal [...] Mestre de Avis, quando era Regedor e defensor do reino; finalmente, um descendente do mesmo Álvaro Gil Cabral as perde em consequência do nobre gesto que teve para com D. Filipe II de Espanha"1 .Embora em investigações, desenvolvidas por Dr. Alexandre Alves mais recentes as não confirmem a última ideia de retiradas de terras por parte da Coroa.

          Durante a época da monarquia Mangualde nunca foi esquecida, por se tratar da terra de da família de Pedro Álvares Cabral, pois para além de descobridor do Brasil foi Alcaide-Mor da vila de Azurara da Beira.

         Portanto a primeira época onde a Família Cabral destaca o seu poder é durante a crise de 1383-85,apoiando sempre o Mestre de Avis. O grande defensor era Álvaro Gil Cabral Alcaide-Mor da Guarda, avô de Pedro Álvares Cabral, que em troca recebeu as terras do concelho de Azurara da Beira, sendo os estas terras e tornou-se senhor do Castelo de Belmonte: "o Mestre de Avis [...] doou ao seu vassalo Álvaro Gil, por carta passada em Lisboa, em 27 de Março de 1384, a terra de Zurara, de juro e herdade, para ele e seus descendentes legítimos, cõ todallas rendas, foros e tributos dela, assy e pela gisa que a nós auemos..."2. Estas benesses foram-lhe dadas antes de D. João I ascender: "mas antes de subir ao trono, D. João já recompensara muitos dos que o apoiavam na sua  luta, tendo sido um deles, Álvares Gil Cabral"3, pois o mestre de Avis  ascendeu graças ao apoio popular, de membros da nobreza e burguesia. Álvaro Gil presenciou as Cortes de Coimbra, quando foi declarado D. João I, Rei de Portugal. Pouco dados existem de Álvaro Gil Cabral, segundo Alexandre Alves, "era filho de D. Gil, deão da Guarda, mais tarde bispo da mesma cidade [...]. Do seu casamento com Maria (ou Catarina) Aires de Loureiro, de Silgueiros, houve Álvaro Gil os seguintes filhos: Luís Álvares Cabral"4 e outros. Luís Álvares Cabral destacou-se ser o sucessor de Zurara, alcaide do Castelo de Belmonte, sendo seleccionado para integrar a Casa do Infante D. Henrique. "Nomeado pelo Infante capitão de uma das galés da armada organizada no Porto em 1415 em vista da expedição de Ceuta, é citado com seu filho Fernando Álvares"5. Ele casou duas vezes e teve vários filhos, destacando-se o sucessor Fernão d'Álvares Cabral ou Fernando Álvares Cabral.

          Depois deste sucedeu-lhe seu filho Fernão Alvares Cabral, ascendeu socialmente "pagem, moço fidalgo, escudeiro e por fim cavaleiro da Casa do Infante D. Henrique". embora fosse para Ceuta com seu pai não fez parte da conquista, porque ficou doente e desembarcou em Tarifa até se recuperar, e quando bom foi viver para Ceuta durante algum tempo defendendo a cidade contra os mouros. Casou com D. Teresa de Andrade moravam em Viseu e teve três filhos, o primeiro faleceu em criança, sendo seu sucessor o segundo Fernão Cabral. Grande defensor do povo de Azurara levando até ao rei os seus problemas viu aumentados seus territórios "doações de Azurara, Manteigas e Quinta de Santo André [...] de Moimenta a par de Gouveia" e deixam de ser cobradas "tomadias e maladias em terras de Zurara, que é reguengo del-Rei"6 por ordem de El-Rei D. Duarte. Fernando Álvares Cabral morreu em 1437.

          Posteriormente ascendeu Fernão Cabral ou Fernão Cabral - O velho, nasceu por volta de 1427 e faleceu entre 1492 ou 1493. Dominavam um grande extensão de território e casou com D. Isabel de Gouveia, e tiveram muitos filhos para cima de dez. Com seu prestígio foi "criado do Infante D. Henrique e fidalgo das Casas e do Conselho dos reis D. Afonso V e D. João II"7.

          O Regedor da Justiça da Beira, Riba Côa e administrador da justiça de Viseu, o mais temido e austero da região pelo seu sentido de justiça e severidade. Durante o reinado de D. Afonso V  permeou-o por  combater com ele para se apoderar das praças do norte de África e recebeu de forma vitalícia a alcaidaria de Belmonte e o padroado de Igreja de São Julião de Mangualde "D. Afonso V, por carta datada de Santarém, em 30 de Abril de 1462, faz mercê a Fernão Cabral, fidalgo de nossa casa, do padroado da igreja de S. Julião de Azurara"8, sendo esta doação confirmada em 1509 por D. Manuel I.  Mandou fazer reformas nas casas de Colmeal das Donas, nas grandes tulhas na Quinta de São Cosmadinho e na Igreja de São Julião de Mangualde.

           Mas o corregedor alterou o Brasão dos Cabrais "até ele formado por duas cabras passantes, de púrpura vestidas, em campo de prata [...] substituindo-o por uma prensa [...] com fuso ao alto, aberto em rosca, o prato superior ou adufa, como se fora a dum copiador comercial. Foi este brasão que ele mandou colocar no frontão da fonte da sua Quinta de S. Cosmado [...] e também colocou na Igreja"9. Esta alteração no símbolo supõe-se que deverá estar relacionada com o seu sentido justiceiro. Assim a atribuição do primeiro símbolo segundo a opinião de Francisco Coelho Mendes deriva da "neste Reino houve certo fidalgo, capitão do castelo de Belmonte, em a Beira, o qual, sendo cercado de inimigos e posto em aperto de fome, mandou matar duas cabras que lhe tinham ficado e, cortadas em quartos, as mandou arrojar ao exército contrário, dando a entender com este ardil, que não tinha falta de mantimentos..."10. Anos mais tarde nasceu em Belmonte Pedro Alvares Cabral, o mais conhecido mas não o herdeiro da fortuna. A sua infância foi passada tanto em Belmonte como em Mangualde, e manteve-se sempre ligado a esta terra pois casou com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque e tornou-se Alcaide-Mor de Azurara da Beira, porque "o alcaide era o representante do rei e exercia funções militares, administrativas e judiciais. O alcaide-mor era o governador das tropas da vila"11.

          De entre tantos filhos o que sucedeu e teve direitos aos bens foi João Fernandes Cabral casou com D. Joana de Castro, foi cavaleiro fidalgo da Casa de el-Rei D. Manuel, manteve todos os territórios mas o padroado da Igreja de São Julião de Azurara passou para a Coroa. Do casamento teve três filhos o primogénito que o sucedeu "Fernão Cabral" e o seu terceiro filho Jorge Cabral foi Governador da Índia.

          Seguidamente, Fernão Cabral seu filho nasceu em 1494 e faleceu em 1534 ou 1535. Casou com D. Maria de Castelo Branco e para além dos seus territórios foi dado o "padroado da Igreja de Sant'Iago de Caurrães" e do casamento existiram dois filhos: João Rodrigues Cabral e Nuno Fernandes Cabral. O João Rodrigues Cabral morreu jovem e solteiro; já Nuno Fernandes Cabral casou com D. Maria de Noronha e teve um único filho, Fernão Cabral. Fernão Cabral não participou nas cortes de tomar de 1580-81, no beija-mão de D. Filipe I, por se encontrar preso  por Mouros. Casou com D. Joana de Castro e sucedeu o filho mais velho: Nuno Fernandes Cabral II. Por sua vez casou com D. Margarida de Menezes e teve três filhos: Fernão Cabral IV morreu cedo, sucedeu seu irmão Francisco Cabral. Senhor de Azurara e Alcaide-Mor de Belmonte tornou-se sacerdote que sem qualquer motivo aparente abandona o sacerdócio e dedica-se a cuidar das suas propriedades e casa-se mas não há filhos desde matrimónio, por isso passou para Pedro Alvares Cabral.

          O famoso descobridor do Brasil embora se dedicasse às navegações casou em Penamacor e teve três filhos: João Rodrigues Cabral II faleceu cedo e Fernão Cabral V. Este último casou com D. Maria Antónia e tiveram como filhos Pedro Álvares Cabral II e Caetano Cabral. O primeiro filho, Pedro Álvares Cabral II partia na armada portuguesa embora se casasses não deixou descendentes. Já Caetano Cabral casou duas e de ambas não teve filhos legítimos. por lei passou tudo para o parente mais próximo o primo Vasco da Câmara foi o 18º Senhor de Azurara durando sucessivamente até 1832, até ao 22º senhor data em que sai um decreto de 13 de Agosto desse ano que suprime os direitos feudais.

          "A actual povoação de S. Cosmado nos arredores de Mangualde, existe uma casa que a tradição diz que pertencer aos Cabrais, mas devido a inexistência de um brasão de família, não é possível realmente comprovar"12.

          Numa família de tantas possessões e tão extensa todas as gerações deram especial atenção à zona de Mangualde, pois retiravam daí seus tributos, criaram quintas e dominavam todo os Concelho, mas mais até à geração de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, pois a partir daí dedicaram-se mais às descobertas e aos negócios deixando para segundo plano os problemas desta região e dedicaram-se mais a Belmonte.

 

1 - SILVA, Valentim da - Concelho de Mangualde (Antigo Concelho de Azurara da Beira): Subsídios para a História de Portugal. 217 p

2 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 9 p

3 - PEREIRA, Josué Rodrigues (Dir.) Notícias da Beira, 14 de Março de 2003, p.9

4 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 12 p

5 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 12 p

6 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 14 p

7 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 15 p

8 - ALVES, Alexandre - A Igreja de São Julião de Azurara. p.21

9 - SILVA, Valentim da - Concelho de Mangualde (Antigo Concelho de Azurara da Beira): Subsídios para a História de Portugal. 212 p

10 - ALVES, Alexandre - Os Cabrais: senhores de Azurara. 11 e 12 p

11 - PEREIRA, Josué Rodrigues (Dir.) Notícias da Beira, 14 de Março de 2003, p.9

12 - PEREIRA, Josué Rodrigues (Dir.) Notícias da Beira, 14 de Março de 2003, p.9